"Ide e Evangelizai"

 

Celebramos hoje a festa da ASCENSÃO do Senhor. O fato faz parte do Mistério pascal de Cristo. Não deve ser interpretado ao pé da letra, como uma reportagem histórica, mas como uma encenação literária de um dado da fé: termina a missão terrena de Jesus e inicia a missão da Igreja.

 

Na 1a Leitura, (At 1,1-11), temos o Início dos Atos dos Apóstolos. Esse livro pretende mostrar, que os ensinamentos e ações de Jesus continuam nos ensinamentos e nas ações da Comunidade cristã.

40 dias: É um número simbólico e catequético: É o tempo necessário para um discípulo aprender e repetir as lições do mestre. Numa refeição, contexto de intimidade e comunhão, Jesus recomenda a seus discípulos que permaneçam em Jerusalém até a vinda do Espírito Santo…

Da a eles uma missão:  "Sereis minhas testemunhas em Jerusalém…                     Judéia, Samaria e até os confins da terra...". Depois é elevado aos céus, exprimindo assim o Mistério de Deus presente e escondido aos olhos do povo.

Os Anjos: convidam os discípulos não ficar de braços cruzados, olhando para o céu, mas descer e seguir o caminho de Jesus.

Lucas não tem a intenção de fornecer informações sobre o lugar, a forma e o tempo da ascensão, mas lembrar o compromisso missionário, que a Igreja recebeu de Cristo. Ele faz desse acontecimento um divisor de águas. Com a Ascensão, termina o seu Evangelho e inicia os Atos dos Apóstolos.  São duas etapas diferentes da História da Salvação. A Ascensão não é uma despedida, mas uma nova presença do Mestre, que se manifesta mediante sinais da missão evangelizadora dos discípulos.

O Projeto de salvação e de libertação de Jesus passou para as mãos da Igreja, animada pelo Espírito.

 

Na 2ª Leitura, (Ef 1,17-23), Paulo vê na Ascensão a glorificação de Cristo e o anúncio do retorno de toda a humanidade a Deus.

 

O Evangelho, (Mc 16, 15-20),  apresenta a Missão dos discípulos no mundo, após a partida de Jesus ao encontro do Pai.

O texto é um acréscimo posterior ao evangelho de Marcos.É um resumo das aparições de Jesus e da Missão da Comunidade cristã. Narra TRÊS CENAS:


1) Jesus ressuscitado define ama missão universal aos Discípulos: "Ide por todo o mundo...”. Indica o conteúdo a ser transmitido: "Pregai o Evangelho a toda a criatura".

A Palavra EVANGELHO, na boca de Jesus, designa o anúncio do Reino que suscita a fé e o acolhimento da salvação. Para as comunidades cristãs, é o anúncio de um acontecimento:  Em Jesus Cristo, Deus veio ao encontro dos homens, manifestou-lhes o seu amor, inseriu-os na sua família, convidou-os a integrar a comunidade do Reino e ofereceu-lhes a vida definitiva.

O anúncio do "Evangelho" obriga os homens a uma opção. Quem aderir à proposta de Jesus chegará à vida plena e definitiva.

A obra missionária será acompanhada de Sinais, que atestarão autenticidade e continuidade da ação libertadora do Mestre.

 

2) Jesus parte ao encontro do PAI. Jesus sobe ao céu e senta-se à direita de Deus: Mostra a soberania de Jesus, como Senhor da História e do Universo. Não é o afastamento de Cristo, mas uma nova presença no mundo.

 

3) Os discípulos partem ao encontro do Mundo, a fim de concretizar a missão que Jesus lhes confiou: "Os discípulos então partiram e pregaram por toda a parte...".  Na ação missionária, os discípulos não estão sozinhos, o Senhor os ajudava e confirmava sua palavra pelos sinais.

A Igreja é essencialmente uma comunidade missionária, cuja missão é testemunhar no mundo a proposta de Salvação e Libertação, que Jesus veio trazer.

 

A Ascensão de Jesus nos faz lembrar a nossa ascensão: "Ele subiu não para se afastar da nossa humanidade, mas para nos dar a esperança de que um dia iremos ao seu encontro, onde ele nos precedeu..."

A nossa vocação missionária: A Igreja é uma "Comunidade Missionária", cuja missão é testemunhar no mundo a proposta de salvação e de libertação, que Jesus veio trazer aos homens.

"Amai-vos como eu vos amei"

 

A liturgia nos convida a contemplar o amor de Deus, manifestado na pessoa, nos gestos e nas palavras de Jesus, e dia a dia tornado presente na vida dos homens pela ação dos discípulos de Jesus.

 

Na 1ª Leitura, (At 10,25-26.34-35.44-48), Pedro na casa de Cornélio anuncia Jesus e sua ação salvífica. Cornélio e sua família acolhem o anúncio e são batizados.

 

A salvação oferecida por Deus através de Jesus e levada ao mundo pelos discípulos, se destina a todos os homens, que tem um coração aberto às propostas de Deus..

 

Na 2ª leitura, (1 Jo 4,7-10), João afirma que "Deus é amor". É uma das definições mais profundas e completas de Deus.

Abre nossos olhos para a presença de Deus, sob dois aspectos:

   - O amor que se revela na doação de Cristo por nós e

   - o amor que devemos praticar para com os "filhos de Deus", sendo que o primeiro é modelo e fundamento do segundo.

Se Deus é amor, o amor deve estar presente na vida dos "filhos de Deus".

 

No Evangelho, (Jo 15,9-17), Jesus mostra aos discípulos o caminho a percorrer: Testemunhar o amor de Deus no meio dos homens.

 

O texto faz parte do Discurso da Despedida na última ceia. É o último discurso de Jesus aos discípulos, antes de ser preso. São as últimas recomendações aos seus "amigos", antes de partir.

 

É uma catequese sobre o "caminho" que os discípulos devem percorrer, após a partida de Jesus deste mundo.

Refere-se à relação de Jesus com os discípulos e à missão que os discípulos serão chamados a desempenhar no mundo.

A relação do Pai com Jesus é modelo da relação de Jesus com os discípulos. O Pai amou Jesus e demonstrou-lhe sempre o seu amor; e Jesus correspondeu ao amor do Pai, cumprindo os seus mandamentos. Da mesma forma, Jesus demonstrou sempre o seu amor aos discípulos; e eles devem corresponder ao amor de Jesus, cumprindo os seus mandamentos.

O Evangelho de hoje é um discurso que o Ressuscitado dirige hoje do céu para todos os discípulos.

É um resumo, uma síntese de muitas coisas em poucas palavras. Cada frase nos abre um mundo, cada afirmação tem uma riqueza imensa.

Mas se quisermos resumir num pensamento central, poderíamos dizer que todas se reduzem ao AMOR. O mandamento do amor é a raiz de toda vida cristã.

 

 

Os discípulos são "amigos" de Jesus. "Já não vos chamo servos, mas amigos..."

 

Amigo é muito mais de que um servo, um colaborador, é um confidente, com o qual existe uma comunhão de vida, de planos e ideais...

Um Deus com sentimentos humanos nobres e profundos.

 

A Iniciativa é de Jesus: "Não fostes vós que me escolhestes, mas fui eu que vos escolhi".

  

O Amor partiu dele, não de nós. Desse amor, nasce a vitalidade e a amplidão da sua Missão. Baseada nisso, a resposta dos discípulos se torna fecunda em frutos duradouros. Conseqüentemente, a oração deles ao Pai também será ouvida, porque feita em nome de Cristo.

 

A Igreja é a "comunidade de amigos", que acolhem o convite de Jesus e colaboram na missão de testemunhar ao mundo o Amor do Pai, com alegria e entusiasmo. O melhor testemunho em Deus em quem acreditamos e da Boa nova que anunciamos é nossa comunhão.

 

Os "amigos de Jesus" devem amar COMO ele amou. A prova concreta que amamos é a observância dos Mandamentos: "Quem me ama, guarda os meus mandamentos. Este é o meu mandamento: que vos ameis uns aos outros como eu vos amei".

Amar como ele, é tornar visível em nós o amor de Deus. Amar como ele, é amar também os "amigos" de Jesus. Seremos "amigos de Jesus", quando somos testemunhas desse mundo novo que Deus quer oferecer aos homens e

que Jesus anunciou na sua pessoa, nas suas palavras e nos seus gestos.

 

Aqui reside a "identidade" dos discípulos de Jesus: O Amor é a base e o fundamento do cristão; sem amor não há cristão, nem cristianismo.

 

O amor fundado em Cristo supera as divergências, anula as distâncias, elimina o egoísmo, as rivalidades, as discórdias.

Esse amor dá aquela fecundidade apostólica, que Jesus espera dos seus discípulos. Só quem vive no amor pode levar ao mundo o fruto precioso do Amor.

 

 

As MÃES, cujo dia hoje celebramos, sabem viver o Amor de Deus "Onde existe o amor e a caridade, Deus aí está!"
 

ENCERRAMENTO DA SEMANA DE ORAÇÃO PELAS VOCAÇÕES

04/05 - SEXTA FEIRA - ENCERRAMENTO - MOMENTO MARIANO - 20HS NO SEMINARIO MAOR EM BRODOWSKI.

"Permanecei em mim"

 

A Liturgia nos fala da unidade profunda dos discípulos com o Ressuscitado,

através da imagem da videira verdadeira. Devem "permanecer" em comunhão de vida com Cristo e com a comunidade.

 

Na 1a Leitura, (At 9,26-31), PAULO narra a experiência do Caminho de Damasco para ser aceito na Comunidade.

 

Três anos após a sua conversão, Paulo vai a Jerusalém para se encontrar com Pedro e se integrar com a Comunidade. Lá o antigo perseguidor encontrou um clima de medo e de desconfiança. Mas ele não se decepcionou, nem se afastou da comunidade, pelo contrário, "permaneceu" unido a Cristo e à Comunidade.

Cristianismo não é só um encontro pessoal com Jesus Cristo, é também uma experiência de partilha da fé e do amor com os irmãos.

  

NÓS também, muitas vezes, podemos encontrar dificuldade para permanecer em comunhão com os irmãos de nossa comunidade: Diante das contrariedades, somos tentados a abandonar tudo. Nenhum motivo nos deve levar a renunciar à unidade…

 

 

Na 2a Leitura, (1Jo, 3,18-24), João ensina que a nossa fé se manifesta através das obras de amor. Permanecendo unidos a Cristo, circulará também em nós a sua vida (seiva).

 

No Evangelho, (Jo 15,1-8), Jesus afirma "Eu SOU a Videira Verdadeira".  Essas palavras, numa ceia de despedida, representam o seu "Testamento".

 

Na Bíblia, a imagem da "Vinha" é muito freqüente: Israel era considerado uma vinha plantada pelo próprio Deus, mas que não produziu os frutos esperados. E Deus, o vinhateiro, foi obrigado a abandoná-la, permitiu que fosse destruída…

 

JESUS se apresenta como a "Videira verdadeira", capaz de produzir frutos que Israel não produziu.

Jesus é o tronco, nós somos os ramos e o Pai é o Agricultor. Ele cuida da videira, poda os ramos para produzirem mais. Os ramos secos ele corta e joga no fogo.

Para dar frutos, os "Ramos" precisam de DUAS COISAS:

Primeiro da Seiva da Videira, que é Cristo, pois "sem mim nada podeis fazer". O texto fala 8 vezes em "permanecer em Cristo" e 7 vezes em "dar frutos". 

Se não "permanecermos" unidos a Cristo, recebendo essa seiva, nos tornaremos ramos secos e estéreis, que serão cortados e excluídos.

Segundo da Poda  : Quem não viu já a poda de um parreiral? As gotas até parecem lágrimas chorando de dor pela poda dolorosa, mas necessária... "para dar mais fruto". Sem a poda, poderá ter muita folha e pouco fruto...

Deus, como trabalhador da vinha, se encarrega de fazer a poda. A sua Palavra põe às claras as nossas limitações e falhas. PODA nosso egoísmo, o orgulho, a vaidade, a falsidade, a ganância...

Poderíamos resumir a mensagem de hoje em três Palavras:

 

Um Apelo: "Produzir frutos…"

 

Uma Condição: "Permanecer unido a ele".  

Para isso, precisa: Gastar tempo com ele. Nenhum trabalho, mesmo pastoral, justifica o abandono do encontro pessoal com Cristo, na Oração. Jesus nos adverte: "Sem mim NADA podeis fazer".  Devemos antes falar com Deus, para depois  falar de Deus. Alimentar a nossa espiritualidade com esta "seiva divina", que é a graça de Deus, na escuta da Palavra, na prática sacramental...

 

Uma Advertência: Cristão que não "permanece" com ele não dá frutos.  Tornar-se-á então um "galho seco" que será cortado e jogado ao fogo. Isso acontece com aqueles que se separam de Cristo e da própria Comunidade

 

Hoje, Cristo continua produzindo frutos, que agradam ao Pai, por meio dos cristãos de nossas comunidades, que "permanecem" sempre unidos a Cristo.

 

Quarto Domingo da Pascoa: O Bom Pastor

 

O 4º domingo de Páscoa é conhecido como o Domingo do Bom Pastor, porque nele todos os anos, Jesus é apresentado como o "Bom Pastor".

 

- No Antigo Testamento, essa imagem aparece com freqüência:

  Grandes personagens foram pastores (Abel… Moisés… Davi…)

  Num país árido, a presença do pastor era vital para a ovelha sobreviver.

  O pastor passava o dia todo com ela e estabelecia profunda identidade com ela. 

- O próprio Deus se compara a um Pastor, que guia, defende e alimenta o seu povo (Sl 80).

- Quase todos os Reis de Israel foram "Maus pastores",  que conduziram o Povo por caminhos de morte e desgraça. Por isso, o Senhor promete: "Eu mesmo apascentarei as minhas ovelhas". (Ez 34,15)

 

A 1ª Leitura mostra o PRIMEIRO PASTOR da jovem Comunidade:

Pedro responde ao Sinédrio, que curou o aleijado: "em nome de Jesus Cristo, crucificado por vós, mas ressuscitado por Deus". Ele é o único Salvador, o Pastor que nos conduz à verdadeira vida.

 

Na 2ª Leitura, (1Jo 3,1-2), João afirma que somos todos FILHOS DE DEUS. Mas essa filiação divina deve ser percebida em nossos atos.

 

No Evangelho, (Jo 10,11-18), Jesus afirma: "Eu sou o BOM PASTOR".

 

É uma Catequese sobre a missão de Jesus: conduzir o homem às pastagens verdejantes e às fontes cristalinas, de onde brota a vida em plenitude.

 

O BOM PASTOR é diferente dos outros, por duas razões:

- Porque está disposto a DAR A VIDA pelas ovelhas que ama. O mercenário no perigo abandona as ovelhas e foge…

- Porque CONHECE suas ovelhas e é conhecido por elas. Ele as chama pelo nome e elas o seguem. "Conhecer" é mais que um ato intelectual, é comunhão de vida, é fruto do convívio e do diálogo, e gera o amor.

 

Quem são as ovelhas desse rebanho?

São os que seguem a voz do Pastor. Mas não só os que participam da Igreja de modo organizado:

  "Tenho ainda outras ovelhas que não são desse rebanho,

   é preciso que eu as conduza. E elas ouvirão a minha voz.

   E haverá um só rebanho e um só pastor".

 

Esse apelo de unidade de Cristo nos pede um zelo apostólico para cativar outras ovelhas que ainda não descobriram o amor apaixonado do Bom Pastor.

Um espírito de unidade: que vença as barreiras que nos separam. Ele não quer uma Igreja dividida em rebanhos separados. É um convite ao verdadeiro ecumenismo.

 

Quem é o nosso Pastor, que nos aponta caminhos e nos dá segurança?

 

O Pastor por excelência é CRISTO. Pastores são também o Papa, os Bispos, os padres. São também as pessoas que prestam um serviço na família, na sociedade, no ambiente de trabalho. São também pessoas que receberam de Deus e da Igreja a missão de presidir e animar, em nossas comunidades cristãs, apesar das suas limitações.

Cada um pode ser um pouco "Pastor" de seu irmão, mas o "único Pastor", que devemos escutar e seguir sem condições, é Cristo. Os outros pastores têm uma missão válida se receberam de Cristo. E a sua atuação nunca pode ser diferente do jeito de atuar de Cristo.

  

Terceiro Domingo da Páscoa: "Testemunhas"

 Nesse tempo de Páscoa, a liturgia nos apresenta as primeiras aparições de Cristo ressuscitado aos apóstolos, que tinham a missão de continuar a sua obra salvadora.

 

- Eles continuam tendo muitas dúvidas.

- Cristo vai ao encontro deles, para fortalecer a fé deles profundamente abalada.

 

 

No Evangelho, (Lc 24,35-48), o Ressuscitado aparece à Comunidade e a convoca para ser sua Testemunha. Cristo está vivo e continua a ser o CENTRO da Comunidade.

- Jesus toma a iniciativa: aparece aos apóstolos, desejando-lhes a "Paz": "A Paz esteja convosco"

- A Reação dos apóstolos: ficam apavorados pensando ser "um fantasma"

 

- Jesus apresenta PROVAS de sua identidade: físicas e Bíblicas - mostra os pés e as mãos… come com eles; Abre as inteligências para compreenderem as Escrituras: Jesus devia padecer e ressuscitar…

 

- Aponta a MISSÃO: "Vós sereis minhas testemunhas" Ser testemunha é conhecer, viver e anunciar a mensagem de amor, que Cristo trouxe. Cristo continuará vivo na Igreja, através deles.

 

Assim na 1a Leitura, vemos São Pedro, cumprindo essa Missão, anunciando com coragem o Cristo Ressuscitado diante do povo: "O Cristo, que vós matastes, Deus o ressuscitou dos mortos.E disso nós somos testemunhas..."

 

Pedro testemunha Jesus com palavras e gestos e faz um apelo ao arrependimento e à conversão, para o perdão dos pecados.

 

E na 2a Leitura, João nos lembra que devemos testemunhar, vivendo o que se conhece e se anuncia: "Quem diz conhecer o Senhor e não vive a sua mensagem  é mentiroso e a verdade não está nele...”  (1Jo 2,1-5)

 

É um forte apelo à coerência entre Fé e Vida, pois é com a vida que demonstramos "conhecer" Deus.

No Evangelho, a Ressurreição de Jesus aparece como um fato real, mas assim mesmo os apóstolos não conseguiam acreditar facilmente. O caminho foi longo, difícil, penoso, carregado de dúvidas e incertezas.

O caminho espiritual para chegar à fé continua o mesmo. Como os apóstolos, também nós podemos "ver" Cristo ressuscitado, no meio de muitas dúvidas, incertezas e medos.

Quando nos reunimos em comunidade, ele está sempre entre nós. Aos poucos os nossos olhos vão se abrindo e nós vamos descobrindo que, quem morre com ele, com ele entra na plenitude da vida de Deus.

 

 

ELEMENTOS IMPORTANTES, que o texto nos apresenta:

 

1. Os discípulos descobriram a presença de Jesus, vivo e ressuscitado, no meio da sua COMUNIDADE. Cristo continua a ser o centro, onde a comunidade se constrói e se articula.

 

2. Esse Jesus ressuscitado é o filho de Deus, que reentrou no mundo de Deus, mas não desapareceu da nossa vida, nem da vida da Comunidade.

 

3. As dúvidas dos discípulos mostram a dificuldade que eles sentiram em percorrer o caminho da fé, até o encontro pessoal com o Senhor ressuscitado. Foi uma longa caminhada de amadurecimento da própria fé.


4. O gesto de Tocar e Comer nos ensina que o encontro dos discípulos com Jesus ressuscitado foi um FATO REAL e palpável.

 

5. O Ressuscitado revela o sentido profundo das Escrituras. A comunidade deve reunir-se com Jesus ressuscitado para escutar a Palavra, que sempre ilumina a nossa vida e nos ajuda a descobrir os caminhos de Deus na história..


6. Os discípulos recebem a MISSÃO de serem testemunhas de tudo isso...

A raiz da Missão é o Encontro com o Ressuscitado e a compreensão das Escrituras. Viver e anunciar essa novidade é a missão da comunidade eclesial,   que vive do amor e da presença do Senhor em seu meio.

 

 

A Comunidade

 

A liturgia de hoje apresenta a Comunidade Nova, que nasce da cruz e da ressurreição de Jesus: a Igreja, e nos convida a viver a fé em Cristo ressuscitado em nossas Comunidades.

 

A 1a Leitura, (At 4, 32-35), mostra que a PÁSCOA acontece na vida da Comunidade. Lucas descreve a comunidade cristã de Jerusalém, como comunidade ideal, modelo à Igreja e às igrejas de todas as épocas:

É uma Comunidade formada por pessoas diversas, mas que vivem a mesma fé "num só coração e numa só alma". Da adesão a Jesus resulta, obrigatoriamente, a comunhão e a união de todos os "irmãos" da comunidade.

É uma Comunidade que partilha os bens. Da comunhão com Cristo e dos cristãos entre si, resultam implicações práticas: a renúncia a qualquer tipo de egoísmo, de auto-suficiência e uma abertura de coração para a partilha, para o dom, para o amor. "Tudo entre eles era posto em comum, entre eles ninguém passava necessidade".

Uma comunidade que testemunha o Senhor Ressuscitado. Viver de acordo com os valores de Jesus é a melhor forma de anunciar e de testemunhar que Jesus está vivo.

 

 

A 2ª Leitura, (1Jo 5, 1-6), afirma que a PÁSCOA acontece quando amamos a Deus

e pomos em prática os seus mandamentos.

 

O Evangelho, (Jo 20,19-31), mostra que a PÁSCOA acontece, quando todos enfrentam os seus medos, partilhando na Comunidade a fé e as experiências da vida.

São dois encontros da nova Comunidade com o Cristo Ressuscitado. É uma catequese sobre a presença de Jesus, que continua vivo e ressuscitado, acompanhando a sua Igreja:

Os Apóstolos estão reunidos, mas "trancados" e dominados pela incredulidade, pela tristeza e pelo medo.  Tomé incrédulo na promessa de Cristo e na palavra dos colegas é protótipo dos que não valorizam o testemunho comunitário e exemplo dos que querem ser cristão sem Igreja.

Hoje muitos vivem de "portas trancadas". Dominados pelo medo e pela insegurança, aguardam por melhores dias de justiça e de paz.

O Ressuscitado derruba as trancas e restaura a PAZ e a alegria: "A PAZ esteja com vocês" (3x). Hoje, ele nos torna também protagonistas da Paz, que é conquistada e construída pelo empenho de todos.

No 1º Dia da Semana (ou de um novo tempo), após a Morte e Ressurreição. Com esse primeiro dia, começa o "Dia do Senhor", o Domingo.

O que significa para você o Domingo? É de fato o "Dia do Senhor"?

Jesus está no "Centro" da Comunidade, onde todos vão beber essa vida que lhes permite vencer o "medo" e a hostilidade do mundo. É a videira ao redor da qual se enxertam os ramos.

Confia a Missão: "Como o Pai me enviou, assim eu vos envio…" Continua acreditando neles. Conta com eles, apesar de tudo...  Na missão, Ele conta também conosco, apesar de tudo...

Inicia uma nova Criação: "Jesus soprou sobre eles", como Deus na criação do homem (Gen 2,7) e acrescentou: "Recebei o Espírito Santo". Com o dom do Espírito Santo, o Senhor ressuscitado inicia um mundo novo e com o envio dos discípulos se inaugura um novo Israel, que crê em Cristo e testemunha a verdade da Ressurreição.

Institui a Penitência: "Aqueles a quem perdoardes os pecados, serão perdoados; a quem os retiverdes, ficarão retidos". Uma vez perdoados, são enviados a perdoar em nome de Deus. É um Sacramento tipicamente Pascal: nascido num clima de alegria e de vitória. 

Como se chega à fé em Cristo Ressuscitado?

A Comunidade é o lugar natural onde se manifesta e irradia o amor de Jesus. Longe da comunidade, Tomé não acreditou na palavra de Jesus, nem dos colegas. Sua fé se reacendeu, quando no "Dia do Senhor" voltou à Comunidade e fez um belo ato de fé: "Meu Deus e meu Senhor".  E Cristo acrescentou: "Felizes os que acreditam sem ter visto…"

Tomé representa aqueles que vivem afastados da Comunidade, sem perceber os sinais de vida que nela se manifestam.

Esse episódio é uma alusão clara ao Domingo, lembra as celebrações dominicais da comunidade primitiva e a nossa experiência pascal que se renova cada domingo. A Comunidade renovada na Páscoa do Senhor torna-se "um só coração e uma só alma".

Nas mesas da fraternidade, da Palavra e da Eucaristia, nos tornamos com Ele um só corpo e uma só alma.

 

 

Homilia de D. Henrique Soares da Costa – Domingo de Ramos – Ano B

 

Is 50,4-7

 

Sl 21

 

Fl 2,6-11

 

Mc 14,1 – 15,47

 

Caríssimos, baste-nos alguns pensamentos, nesta Eucaristia solene que abre a Grande Semana da nossa fé, a Semana santíssima, que culminará com a Solenidade da Páscoa, Domingo próximo.

 

Já fizemos memória da Entrada do Senhor Jesus em Jerusalém. Ele é o Filho de Davi, o Messias esperado por Israel, que vem tomar posse de sua Cidade Santa. Mas, que surpresa! É um Messias humilde, que entra não a cavalo, mas num humilde burrico, sinal de serviço e pequenez! Ei-lo: seu serviço será dar a vida pela multidão. Ele é Rei, mas rei coroado de espinhos e não de humana vanglória. Termos seguido o Senhor nessa solene procissão com ramos é tê-lo reconhecido como nosso rei, rei pobre e humilde. Tê-lo seguido é nos dispor a segui-lo nas pobrezas e humildades da vida, dispondo-nos a participar de sua paixão e cruz para ter parte na glória de sua ressurreição.

 

Após a Procissão de Ramos, que pensamentos poderíamos colher agora na Liturgia da Palavra desta Missa da Paixão do Senhor? Eis alguns pensamentos:

 

Primeiro: O meio que Deus escolheu para nos salvar não foi o que é grande e vistoso, tão apreciado pelo mundo. Ao invés, o Pai nos salvou pela humilde obediência do Filho Jesus. Reconheçamos na voz do Servo sofredor da primeira leitura a voz do Filho de Deus: “O Senhor Deus me desperta cada manhã e me excita o ouvido, para prestar atenção como um discípulo. O Senhor abriu-me os ouvidos; não lhes resisti nem voltei atrás. Ofereci as costas para me baterem e as faces para arrancarem a barba. O Senhor é o meu Auxiliador, por isso não me deixei abater o ânimo, porque sei que não serei humilhado”. Palavras impressionantes, caríssimos! O Filho buscou humildemente, na obediência de um discípulo, a vontade do Pai – e aí encontrou força e consolo, encontrou a certeza de sua vida. São Paulo, na segunda leitura de hoje, confirma isso com palavras não menos impressionantes: “Jesus Cristo, existindo na condição divina, esvaziou-se de si mesmo, humilhou-se, fazendo-se obediente até a morte, e morte de cruz”. Caríssimos em Cristo, num mundo que nos tenta a ser os donos da verdade, desprezando os preceitos do Senhor Deus e seus planos para nós, aprendamos a humilde obediência de Cristo Jesus, entremos em comunhão com o Cristo obediente ao Pai até a morte. Só então seremos livres realmente, somente então viveremos de verdade!

 

Um segundo pensamento: O breve e concreto relato da Paixão segundo São Marcos, apresenta-nos ao menos três modos de nos colocar diante do Cristo nosso Senhor. Dois modos inadequados, que deveremos evitar, apesar de tantas vezes neles cairmos; e um modo correto, a que somos continuamente chamados. Ei-los:

 

Primeiramente, o modo dos discípulos, tão vergonhoso: “Então todos o abandonaram e figuram”. Oh! meus caros, que desde o início temos sido covardes, desde os princípios somos um mísero bando de infiéis! Quantas vezes, nos apertos da vida, fugimos e o abandonamos: no vício, no comodismo, na busca de crendices e seitas, no fascínio por ideologias, idéias e filosofias opostas à nossa fé! Como é fácil fugir, como é fácil, ainda agora, abandoná-lo! – Perdoa-nos, Senhor Jesus, porque ainda hoje somos assim, ainda somos como os primeiros discípulos: frágeis, inconstantes, covardes mesmo! Perdoa-nos pelo pouco amor, pela falta de compromisso!

 

Depois, o modo de Pedro, que “seguiu Jesus de longe”. Atenção, caríssimos Pedros aqui presentes! Não se pode seguir Jesus de longe! Quem o segue assim? Quem pensa poder ser discípulo pela metade; quem se ilude, pensando seguir o Senhor sem combater seus vícios e pecados; quem imagina poder servir a Deus e ao dinheiro, ao Senhor e aos costumes e modos e pensamentos do mundo! Como terminarão esses? Como terminou Pedro: negando conhecer Jesus! – Senhor, olha para nós, como olhaste para Pedro; dá-nos o arrependimento e o pranto pela covardia e frieza em te seguir! Faze-nos verdadeiros discípulos teus, que te sigam de perto até a cruz, como o Discípulo Amado, ao lado de tua Santíssima Mãe!

 

Finalmente, uma atitude bela e digna de um verdadeiro discípulo do Senhor: aquele gesto, da misteriosa mulher, que ungiu a cabeça do Senhor com nardo puro, caríssimo! Notaram, amados em Cristo, o detalhe de São Marcos? “Ela quebrou o vaso e derramou o perfume na cabeça de Jesus”. Quebrou o vaso… isto é, derramou todo o perfume, sem reservas, sem pena, com amoroso estrago… Para o Senhor, tudo; para o Salvador o melhor! E São João diz que “a casa inteira ficou cheia do perfume do bálsamo” (Jo 12,3). Ó mulher feliz, discípula generosa! Dando tudo ao Senhor, perfumou toda a casa com o bom odor de um amor ser reservas! Quanta generosidade dessa mulher politicamente incorreta! Quanta hipocrisia, quanta mesquinhez dos apóstolos politicamente corretos, que não compreenderam seu gesto de amor gratuito! – Senhor Jesus, faz-nos generosos para contigo! Que te amemos como essa mulher: sem reservas, sem fazer contas! Ó Senhor, que nos amaste até o extremo, ensina-nos a te amar assim também, colocando nossos perfumes, isto é, aquilo que temos de precioso, a teus pés! Então, o mundo será melhor, porque o bom odor do amor haverá de se espalhar como testemunho da tua presença!

 

Eis, caríssimos! Fiquemos com estes santos pensamentos, preparando-nos durante toda esta Semana para o Tríduo Pascal, que terá seu cume na Santa Vigília da Ressurreição! Nós vos adoramos, Senhor Jesus Cristo e vos bendizemos, porque pela vossa santa cruz remistes o mundo.

 

D. Henrique Soares

 

 

Hosana e Cruz

 

Com o Domingo de Ramos começamos a Semana Santa. Somos convidados a contemplar o grande amor de Deus, que desceu ao nosso encontro, partilhou a nossa humanidade, fez-se homem, deixou-se matar pela nossa salvação. É uma oportunidade para reviver os mistérios centrais da Redenção.

Os RAMOS, que carregamos com alegria e entusiasmo na procissão e que levamos com devoção para nossas casas, são o sinal de um povo, que aclama o seu Rei e o reconhece como Senhor que salva e liberta. Devem ser o Sinal do compromisso de quem deseja viver intensamente essa Semana Santa.

Não basta apenas aclamar o Cristo em momentos de entusiasmo e depois crucificá-lo na rotina de todos os dias.

 

A Liturgia lembra DOIS FATOS:

- A Entrada Triunfal de Jesus em Jerusalém montado num jumento. O povo o reconhece como Salvador e o aclama alegre... (Jo 12,12-16)

- O Começo da Semana Santa, com a leitura da Paixão de Jesus Cristo, segundo São Marcos... (Mc 14,1-15,47)

 

Dois momentos da vida de Cristo: O Triunfo e a Humilhação. Ao longo dessa Semana Santa, teremos a oportunidade de ler as 4 narrativas da Paixão de Jesus Cristo.

 

Vamos aprofundar, nesta reflexão, os aspectos específicos da narrativa de São Marcos.

É a primeira, a mais antiga (± 65 dC) : a mais breve e dramática. É a que mantém uma ordem cronológica mais exata.

 

O Evangelista Marcos introduz com duas referências à CEIA:

- A ceia de Betânia, na casa de Simão, na qual Jesus é ungido por uma mulher. O gesto generoso da Mulher contrasta com a atitude egoísta e traidora de Judas.

- A Ceia Pascal com os discípulos.

 

Jesus mantém um SILÊNCIO solene e digno, aceitando o caminho da cruz. Não reage diante do beijo de Judas e ao gesto violento de Pedro. É a atitude de quem sabe que o Pai lhe confiou uma missão e está decidido a cumprir essa missão, custe o que custar.

No tribunal, quando acusado, Jesus manteve silêncio. Mas quando perguntado se era o Messias, reponde prontamente: "Sim, eu sou", e só. Durante o processo: nenhuma palavra.

 

Jesus é o FILHO DE DEUS, que veio ao encontro dos homens para lhes apresentar uma proposta de Salvação. É o que Jesus responde ao Sumo Sacerdote: "Eu sou" e o que o Centurião afirma aos pés da cruz:  "Verdadeiramente esse homem era Filho de Deus".

É o ponto culminante da narrativa de Marcos, que no seu evangelho procura responder: "Quem é Jesus?". A resposta (a descoberta) não foi feita por um apóstolo, nem mesmo por um discípulo, mas por um pagão.

 

Jesus é também HOMEM e partilha da fragilidade e debilidade da natureza humana: No Jardim, antes de ser preso, "começa a sentir grande pavor e angústia". Mostra-nos um Jesus muito humano, muito próximo de nossas fraquezas.

Sublinha a Solidão de Cristo: Abandonado pelos discípulos, escarnecido pela multidão, condenado pelos líderes, torturado pelos soldados, Jesus percorre na solidão, no abandono, na indiferença de todos o seu caminho de morte.

Só Marcos faz questão de sublinhar que Jesus se sentiu completamente só, abandonado por todos, até pelo Pai: "Meu Deus, meu Deus, por que me abandonaste?"

Atitude "corajosa" de José de Arimatéia em pedir à autoridade, que o condenou, a autorização para sepultar Jesus .

 

"ABBA": Pai: Essa palavra somente Marcos a coloca nos lábios de Jesus,     exatamente na hora mais dramática da sua vida.

 

Mulheres seguem, servem e sobem com ele a Jerusalém. Marcos salienta a presença das mulheres que seguem e servem Jesus desde a Galiléia e sobem com ele a Jerusalém, até o pé da cruz. Elas são o modelo para os outros discípulos que tinham fugido.

 

 

"Queremos ver Jesus"

 

A Liturgia desse domingo deseja preparar os cristãos para os acontecimentos da Páscoa, que se aproxima: a Paixão, Morte e Ressurreição de Cristo. As leituras bíblicas nos ajudam neste sentido.

 

Na 1a Leitura, (Jr 31, 31-34), Deus propõe uma NOVA ALIANÇA.

É um dos trechos mais importantes do Antigo Testamento. Deus tinha feito uma ALIANÇA no Sinai, entregando a Moisés mandamentos escritos em pedra. O povo aderiu à aliança, contudo mais com a boca, do que com o coração. O povo nunca interiorizou devidamente e muitas vezes foi infiel. Por isso, o profeta Jeremias anunciou uma NOVA ALIANÇA, cujos mandamentos serão gravados no coração: "Porei minha lei em sua alma, escreverei em seu coração. Então eu serei seu Deus e ele será meu Povo". A Aliança é renovada pelo Senhor, que perdoa e restaura.

 

Nós também somos Povo da Nova Aliança, cujos mandamentos devem estar inscritos em nosso coração. A Quaresma é o tempo de renovação da Aliança, iniciada no Batismo e rompida tantas vezes pela nossa fraqueza e infidelidade.

 

A 2ª Leitura, (Hb 5,7-9), afirma que essa nova Aliança, plena e definitiva, se realiza em Jesus Cristo, em perfeita obediência ao Pai.

 

O Evangelho, (Jo 12,20-33), nos convida a olhar Jesus, que selou a Nova Aliança com o próprio sangue na Cruz.

Um grupo de gregos, que estavam em Jerusalém para celebrar a Páscoa, pedem: "Queremos ver Jesus!" , isto é, conhecê-lo em profundidade. Não se dirigem diretamente a Jesus, mas aos discípulos. Servem-se de dois mediadores: Felipe e André.

Jesus SE FAZ VER através de uma imagem: o GRÃO de TRIGO. A sua "glória" passa pela experiência do grão: "Se o grão, que cai na terra, morre, produzirá muito fruto". A fecundidade da vida se manifesta na morte. Jesus vai morrer e nascerá a Igreja universal.   Assim foi para Jesus, assim será para cada um de nós.

Para conhecer Jesus: Devem MORRER as seguranças humanas, o apego à própria vida e à sabedoria humana (que os gregos valorizavam tanto), deve MORRER tudo o que nos afasta do projeto de Jesus, que veio para que todos tenham vida em abundância.

Precisamos morrer para conhecer. E aponta o caminho para vê-lo: a CRUZ.     "Quando eu for elevado da terra (na cruz), atrairei todos a mim." É o caminho para todo o discipulado...

 

"Queremos ver Jesus". Esse pedido dos gregos é uma linda proposta de vida para todos nós. É anseio de todos nós. Todos nós queremos ver Jesus.

O Documento de Aparecida nos lembra que "o início do cristianismo é um encontro de fé com a pessoa de Jesus Cristo" (DA 243). "A própria natureza do cristianismo consiste em reconhecer a presença de Jesus Cristo e segui-lo" (244).

 

Mas onde, quando, como encontrá-lo? O Documento mostra uns lugares de encontro com Jesus Cristo:  "O encontro com Cristo realiza-se na fé recebida e vivida na IGREJA". (246)- Encontramos Jesus na SAGRADA ESCRITURA, lida na Igreja, é indispensável o conhecimento profundo e vivencial da Palavra de Deus" (347). Encontramos Jesus Cristo na SAGRADA LITURGIA... a Eucaristia é o lugar privilegiado do encontro do Discípulo com Jesus Cristo" (250-251). A celebração eucarística dominical é uma necessidade interior do cristão, da família cristã e da comunidade paroquial" (252).

O sacramento da Reconciliação é o encontro com o Cristo que perdoa (254). A ORAÇÃO pessoal e comunitária cultiva a amizade com Cristo (255). "Jesus está presente em meio a uma COMUNIDADE viva na fé e no amor fraterno" (256). Também o encontramos nos pobres, aflitos e enfermos... (257). "Encontramos também na Piedade popular..." (258)

"Queremos ver Jesus" significa acolher a sua pessoa com alegria, por ser o centro e a motivação mais forte da própria existência, e a garantia que não se apaga.

 

ENCONTRO VOCACIONAL ESTE FINAL DE SEMANA

PAROQUIA STA TEREZA D´AVILA - Pe Juliano.

 

JUIZ OU SALVADOR?

 

A Quaresma é um tempo oportuno para purificar idéias e atitudes de nossa vida cristã. Muitas vezes somos levados a ter de Deus a imagem de um juiz severo e castigador...

Será essa a verdadeira imagem de Deus que devemos ter?

A Bíblia tem uma imagem bem diferente: Um Deus Criador e Amigo... que dialoga com Adão,  Um Deus que faz uma Aliança de amizade com o seu povo, Um Deus-conosco ("Emanuel")... que caminha com o povo, Um Deus que liberta... e salva, Um Deus misericordioso, que perdoa, Um Deus Pai... sempre disposto a acolher o filho pródigo.

            O castigo é um remédio extremo para que se arrependa e volte à amizade.

 

A 1a leitura, (2Cr 36,14-16.19-23), revela a Justiça e a Misericórdia de Deus

no tempo do exílio e da libertação.

 

É um resumo da História da Salvação, em três momentos: O Pecado do homem, o Castigo e o Perdão de Deus.

O Povo foi infiel à Aliança. Por isso, Jerusalém foi destruída e sua elite foi deportada para a Babilônia. Mas Deus não abandona o povo, apesar das infidelidades. 

O povo arrependido voltou seu coração para Deus e Deus o conduziu de volta à sua terra. Deus é mais misericórdia, do que justiça...

 

Na 2a Leitura, (Ef 2,4-10), Paulo afirma que Deus é rico em misericórdia  .

Por isso, à situação pecadora do homem, Deus responde com a sua graça. O amor salvador e libertador de Deus é incondicional e atinge o homem, mesmo quando ele continua a percorrer os caminhos de pecado e de morte. Somos sempre filhos amados, a quem Deus oferece a vida plena, a salvação.

 

No Evangelho, (Jo 3,14-23), Jesus se revela como Salvador e não Juiz.

É a conclusão do diálogo de Jesus com Nicodemos, que nas  "trevas da noite", vem falar com Jesus à procura de "Luz". No final, descreve o projeto de Salvação de Deus: "Deus amou tanto o mundo que lhe deu o seu próprio filho e este não veio para julgar o mundo, mas para salvá-lo".

No deserto, os hebreus olhavam para a serpente levantada por Moisés como sinal de cura e libertação. Faz lembrar a cruz onde foi levantado o Filho do homem.

Da Cruz de Jesus brota a vida e a saúde para toda a terra. Ao olhar com fé para esse sinal, ficamos curados.

O  texto nos convida a contemplar uma História maravilhosa: O Amor de Deus oferece ao homem vida plena e definitva. Aos homens compete aceitar ou não o dom de Deus.

Jesus não veio condenar e excluir ninguém da salvação. Ele é a luz divina enviada ao mundo para mostrar o caminho da verdade e da vida que conduz a Deus. As pessoas podem rejeitar Jesus e sua missão, permanecendo nas trevas do egoísmo, rejeitando Jesus e sua missão; ou então aceitar Jesus e seguir seu projeto, deixando-se envolver pela luz da fé e da salvação.

João define o caminho para chegar à vida eterna: CRER EM JESUS.

            CRER, não é uma mera adesão intelectual a umas verdades, mas acolher JESUS enviado pelo amor do Pai para salvar os homens. É escutar Jesus, acolher a sua mensagem e segui-lo nesse caminho. É deixar as trevas e caminhar para a Luz… É aceitar essa Luz... Isso supõe desfazer-se de muitos projetos pessoais.

 

E o julgamento final como fica?

Muitos imaginam um Deus severo, que vai analisar tudo com rigor até os mínimos detalhes. Seria então Ele um Pai, que ama os bons e os maus, como ensinou Jesus?

 

Segundo São João, o julgamento não é pronunciado por Deus, mas pela escolha que cada um faz diante da Luz de Cristo. "Quem nele crê, não é condenado. Mas quem não crê, já está condenado. A Luz veio ao mundo, mas os homens preferiram as trevas."

Por isso, a decisão no julgamento,não é propriamente Deus que faz... somos nós que escolhemos. Não é apenas no fim do mundo, mas é aqui e agora. Cada instante da vida é tempo de salvação ou de condenação...

Salvam-se os que praticam a Verdade e se aproximam da "Luz". Condenam-se os que praticam o mal e preferem as "trevas".

A salvação é um dom gratuito de Deus oferecido a todos. Tudo depende da nossa aceitação ou não à proposta de Cristo. Ele quer ser o nosso Salvador, não o nosso Juiz...

A Lei e o Templo

 

Em nossas casas, costumamos limpar todos os dias. Assim mesmo, de vez em quando sentimos a necessidade de uma limpeza geral... lavamos as paredes... o teto... os vidros... para tirar o mofo que foi se acumulando...

A Quaresma também é um tempo de purificação propício para renovar nossa vida cristã e purificar o nosso coração daquelas impurezas que foram se acumulando ao longo do tempo.

  As leituras bíblicas tratam de dois pontos fundamentais da religião judaica: a Lei de Deus e o Templo, que, com o passar do tempo, também estavam precisando de uma purificação...

 

Na 1a Leitura, (Ex 20,1-17), Deus entrega a LEI, num contexto de êxodo e de Páscoa, como parte de uma Aliança. É um momento fundamental na história da Salvação.

Deus se apresenta desde o começo como Libertador: "Eu sou o Senhor teu Deus que te tirou da escravidão do Egito".

         Os 10 mandamentos brotavam do amor de um Deus "Libertador", que depois de ter libertado seu povo da escravidão material do Egito, queria libertá-lo também da escravidão moral das paixões e do pecado. O Decálogo queria explicitar aquela lei do amor, que Deus imprimira no coração do homem desde a Criação, mas que este depois esquecera e deturpara.

Os Mandamentos indicavam o caminho seguro para ser feliz e ser o Povo da Aliança, colaborador de Deus no Plano da Salvação. Mas Israel não foi fiel a esse compromisso: muitos abusos e desvios esvaziaram o verdadeiro sentido do decálogo.

Era necessário restaurar a antiga Lei, completá-la, aperfeiçoá-la,  sobretudo no sentido do amor e da interioridade, libertando-a de todo formalismo. Precisava uma Nova Aliança, uma NOVA LEI.

É o que Cristo veio realizar: "Não vim suprimir a Lei… mas completar, aperfeiçoar…"

 

Na 2ª Leitura, (1Cor 1,22-25), Paulo afirma que seu projeto de Salvação passa pela morte na cruz: "Nós pregamos Cristo crucificado, escândalo para os judeus e loucura para os gentios"

 

No Evangelho, (Jo 2,13-25), Jesus se apresenta como o NOVO TEMPLO.

  O Templo era um lugar muito sagrado para os judeus. Todo judeu devia ir ao templo ao menos uma vez por ano para oferecer um sacrifício a Deus. Estas ofertas para os sacrifícios faziam girar muito dinheiro e provocavam abusos e exploração.

O gesto ousado de Cristo não é apenas zelo de purificação do templo. É anúncio da abolição do velho templo e do culto aí celebrado. O antigo templo já tinha concluído a sua função. Surgirá um novo templo, não construído de pedras e por mãos humanas, mas o "lugar da Presença" viva de Deus: JESUS CRISTO.

 

Passamos do templo de pedra (projeto de Davi e realizado por Salomão) ao Templo sonhado pelos profetas (fonte de vida e luz para todos os povos), para chegar ao Senhor ressuscitado, o templo verdadeiro em quem Deus manifesta a sua glória em favor de todos os homens.

Caminhamos todos para um "templo definitivo", que se identifica com o mundo inteiro, quando esse se converte em casa do Pai, isto é, a casa onde todos os homens se reconhecem irmãos.

 

Jesus nos convida a sermos templo no qual está presente Deus e nele se oferece um verdadeiro culto em espírito e verdade..

 

 

A Campanha da Fraternidade nos lembra outro templo sagrado, também profanado pela ganância dos "vendilhões" de hoje. A Pessoa humana é esse lugar sagrado, onde Deus quer ser respeitado…                                                                

 "Escutai-o"

 

Aqui estamos reunidos em assembléia para ESCUTAR a Palavra de Deus e celebrar a Eucaristia.

A Escuta dessa Palavra nos revela os Planos de Deus e nos aponta o caminho a seguir para chegar à vida plena.

 

As leituras bíblicas de hoje nos apresentam dois exemplos na CAMINHADA DA FÉ: a fé de Abraão e a fé dos Apóstolos.

 

A 1a Leitura, (Gn 22,1-2.9.10-13.15-18), fala da fé de Abraão. A narrativa faz parte das "tradições patriarcais", sem caráter histórico.

Destina-se a apresentar Abraão como MODELO DE FÉ: Ele vive numa constante ESCUTA da Palavra de Deus, aceita os apelos de Deus, e lhe responde com obediência total, mesmo oferecendo o filho Isaac.

Abraão ensina a confiar em Deus, mesmo quando tudo parece cair à nossa volta, e quando os caminhos do Senhor se revelam estranhos e incompreensíveis.

Sua obediência tornou-se uma fonte de vida para ele, para a sua família e para todos os povos...

 

O sacrifício de Isaac é símbolo do sacrifício de Jesus. Isaac foi substituído por um cordeiro, Cristo é o verdadeiro Cordeiro sacrificado para a salvação do mundo.

 

Na 2a Leitura, (Rm 8,31-34), Paulo retoma a figura de Isaac, subindo o monte Moriá, com a lenha do sacrifício às costas, como imagem de Cristo que também sobe o monte Calvário, carregando às costas o lenho da Cruz.

 

É um hino, em que Paulo canta entusiasmado o Amor de Deus, manifestado na morte e ressurreição de seu Filho Jesus Cristo.

 

O Evangelho,(Mc 9,2-10), fala da fé dos Apóstolos: Na caminhada para Jerusalém, o 1º Anúncio da Paixão e Morte de Jesus abalou profundamente a fé dos apóstolos. Desmoronaram seus planos de glória e de poder.

Para fortalecer essa fé ainda tão frágil, Cristo tomou três deles, subiu o Monte Tabor e "TRANSFIGUROU-SE…"

A proposta de Pedro: "É bom estar aqui! Vamos fazer três tendas..." a proposta de Deus: "Este é o meu Filho amado, ESCUTAI-O!".

 

A transfiguração de Jesus é uma Catequese que revela aos discípulos e a nós Quem é Jesus: o FILHO AMADO DE DEUS: Um novo MOISÉS que dá ao seu povo uma NOVA LEI e através de quem Deus propõe aos homens uma NOVA ALIANÇA.

As figuras de Elias e Moisés ressaltam que a Lei e as Profecias são realizadas plenamente em Jesus. O mundo se transforma quando acolhemos a voz do Pai...

 

Em nossa caminhada para a Páscoa, somos também convidados a subir com Jesus a montanha e, na companhia dos três discípulos, viver a alegria da comunhão com ele.

As dificuldades da caminhada não podem nos desanimar. No meio dos conflitos, o Pai nos mostra desde já sinais da ressurreição e do alto daquele monte ele continua a nos gritar: "Este é o meu Filho amado, ESCUTAI-O".

Não desanimemos, os Planos de Deus não conduzem ao fracasso, mas à Ressurreição, à vida definitiva, à felicidade sem fim.

 

Vocês têm fé? O que é ter fé? O que é mesmo a fé? É apenas uma adesão da inteligência a algumas verdades, que decoramos na catequese?  É mais...

 

A FÉ é a Adesão de nossa vida a Deus. É acolher Deus que quer fazer sua história junto conosco, é fazer a vontade de Deus... (tanto no Tabor, como no Calvário)

É um Dom gratuito de Deus (Não foi Abraão que tomou a iniciativa)

 

A fé exige:

Uma resposta da pessoa a uma palavra, a uma Promessa...

 

Um Serviço pronto e generoso na Obra de Deus...  

 

Uma Ruptura: Deixar a terra dos ídolos que nos prendem e abraçar o desconhecido… (experiência de Abraão)

 

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